sexta-feira, março 19, 2004

Ofício na imprensa

Como era de se esperar, com toda a polêmica em torno de "a Paixão de Cristo", a imprensa iria acabar exercendo o ofício. E exerceu.

"Os primeiros anos desta década revelam uma nova fórmula de sucesso estrondoso em Hollywood: adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos ou livros que possuem uma sólida base de fãs pelo mundo. Mel Gibson fez o filme máximo dessa fórmula blockbuster ao unir o (super) herói da civilização ocidental à reprodução realista do mais popular dos livros, a Bíblia, em "A Paixão de Cristo", que estréia com 394 cópias em 512 salas no Brasil ("O Retorno do Rei" estreou com 402 cópias).

Como em "O Senhor dos Anéis", o filme é uma adaptação bastante fiel do livro, até com os "idiomas" originais da trama, o que é bem visto pelos fãs. No caso de "A Paixão de Cristo", todo falado em aramaico e latim, o roteiro foi baseado nos quatro evangelhos --João, Mateus, Lucas e Marcos--, e o recorte escolhido foram as últimas 12 horas de vida de Jesus de Nazaré (ou as 12 horas anteriores à crucificação, já que o herói, como de praxe, não morre).

EXPECTATIVA
Desde os tempos bíblicos, o boca a boca é fundamental para promover uma causa. O norte-americano Mel Gibson, católico que possui uma capela em sua casa na Califórnia onde assiste a missas em latim, sabe disso melhor do que ninguém.

Acusado de anti-semita "A Paixão de Cristo" sempre foi, antes mesmo de o roteiro estar concluído. Líderes e ativistas judeus protestaram contra a obra de Gibson, que mostra os líderes judeus de 2.004 anos atrás como os responsáveis pela condenação de Jesus, também judeu.

O FILME
(...)
A bela fotografia do filme, de inspiração claramente renascentista, é acompanhada por uma trilha sonora solene e grandiloqüente. Os movimentos de câmera são lentos, como uma demonstração de respeito ao tema do filme --se fossem mais ágeis, poderiam ser interpretados como "blasfemos". Quase tudo redunda em clichês cinematográficos.

Mais aqui.
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